terça-feira, 18 de junho de 2013

A Luta contra o aumento das passagens e o Anarquismo

Coordenação Anarquista Brasileira




O contexto da nossa luta

Nesse primeiro semestre houve diversas mobilizações de norte a sul do Brasil que enfrentaram a reação conservadora dos governos, do aparelho repressivo e da mídia. Desde as lutas em defesa do transporte público nas capitais, passando pelas greves nos canteiros de obras do PAC, até a resistência indígena dos povos originários, todas essa lutas foram alvos da criminalização do protesto que segue em curso no país sede da Copa do Mundo. Vivemos um dos momentos mais agudos da luta de classes no Brasil. O capital internacional avança diariamente a passos largos, explorando os trabalhadores e as trabalhadoras na busca do lucro.

Resistência dos/as oprimido/as x Violência do Opressores

Uma consequência dessa lógica do capitalismo se expressa no transporte. Somos diariamente violentados. Esperamos em intermináveis filas, viajamos horas em transportes superlotados e sem manutenção, correndo risco de vida. Sofremos com o a violência da ganância, do descaso, da roubalheira, das máfias das empresas de transporte público, ajudadas pelos governantes a lucrarem cada vez mais. Mas quando o povo vai para as ruas reclamar contra esta injustiça o que acontece? É violentado! Tropas de choque, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bombas, balas de borracha à queima roupa que podem cegar ou até matar. Todo um aparato de guerra é usado contra o povo, e dezenas de manifestantes são presos e feridos pela polícia.Tanto a truculência da polícia e o descaso do poder público para o social, quanto o desrespeito que os empresários do transporte público nos fazem passar diariamente,todas estas são formas de violência contra o povo. E todas as formas que o povo usa para se defender contra esta violência são legítimas. Toda forma de resistência, ainda que com táticas distintas é legítima. A violência em todos os atos SEMPRE começou com a polícia, a fiel defensora das elites e da burguesia. Polícia, que curiosamente foi apoiada em sua última greve por legendas políticas de esquerda que hoje caluniam o anarquismo para “encontrar” um bode expiatório que divida a nossa luta.

Lutar não é crime

O povo, organizado nos movimentos sociais, manifestando-se por justiça, não pode ser criminalizado, agredido ou preso. Devemos ter cuidado com a estratégia dos poderes dominantes de criminalizarem “individualmente” militantes e ativistas que lutam contra o aumento da passagem.  Muitos já estão com processos nas costas por lutarem. Lutar não é crime! Não podemos deixar que nossos companheiros/as sejam criminalizados/as! Essa criminalização deve ser denunciada! Essa é a verdadeira face da democracia burguesa, escondida de dois em dois anos nas urnas e propagandas eleitorais mas que mostra suas garras quando surge a resistência! Não podemos reforçar dentro das nossas fileiras o discurso de criminalização daqueles que lutam tentando encontrar bodes expiatórios no nosso movimento. Todos/as aqueles/as que saem às ruas para se opor a máfia dos transportes são ilegais por natureza, pois enfrentam a burguesia e o Estado de “direito/a”.

Nossa concepção de anarquismo

Nós anarquistas organizados politicamente na Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) participamos modestamente de diversas mobilizações e cerramos fileiras com trabalhadores e militantes em diversos estados do país. A CAB é uma instância que reuniu diversas Organizações Anarquistas Especifistas de todo o Brasil para articular a luta e construir no futuro uma Organização Anarquista em nível Nacional. É constituída por 9 Organizações de diferentes Estados, de base Federalista que constrói – a partir de práticas concretas – unidade estratégica e maior organicidade para intensificar a inserção social no seio de nosso povo. Nesse sentido, são mais de 10 anos de resgate do Anarquismo enquanto corrente libertária do Socialismo, organizada politicamente e inserida socialmente. A CAB é formada por uma diversidade de sujeitos sociais que acreditam na já antiga mas atualíssima máxima que diz que a “emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”, porém aliada também a histórica prática da organização do anarquismo enquanto partido, como foi a Aliança da Democracia Socialista de parte da Ala Federalista e Anti-autoritária da 1ª Internacional (Bakunin, Guillaume, Malatesta, Cafiero e outros) e também da nossa irmã Federação Anarquista Uruguaia, que se manteve atuante durante a ditadura militar uruguaia enfrentando esta com inserção popular/estudantil e com um aparato armado.

No entanto, nossa rica história que se confunde com a história da classe trabalhadora é muitas vezes atacada, desmerecida ou deturpada: muitas vezes trata-se do simples desconhecimento ou a reprodução de discursos simplificadores e reducionistas, porém, muitas vezes se trata da má fé, do preconceito e da necessidade de construção política na base da calúnia, auto-promoção e mentiras. Não nos surpreendemos quando estes ataques partem da mídia corporativa/burguesa, que tenta sempre criminalizar e estereotipar aqueles que lutam. Mas quando vem das fileiras de nós trabalhadores, devemos nos posicionar de maneira firme para combater o sectarismo que sempre divide a luta popular. Recentemente, o  último texto que tivemos contato e que faz referência aos “anarquistas” nestes moldes é uma nota lançada pelo setor de juventude do PSTU em meio a luta contra o aumento das passagens. Assim, nos posicionamos nacionalmente não para entrarmos na briga de quem é mais revolucionário ou possui a verdadeira interpretação do período em que vivemos, mas sim porque julgamos necessário combater as calúnias e evitar a confusão em nossas fileiras.

Nossa implicação enquanto CAB se dá por um conjunto de motivos que normalmente são veiculados em materiais como o que nos referimos acima: generalização e estereotipação do anarquismo; acusação de que somos uma seita esquerdista e que não teríamos nenhuma responsabilidade; de que somos anti-partidários; de que seriamos sectários e intransigentes, que fazemos alianças somente com quem pensa da mesma forma que nós; que atacamos toda e qualquer entidade sindical, estudantil e popular como sendo burocrática e desnecessária à luta e o pior, dizer que nós anarquistas classistas e revolucionários somos apenas liberais/pequeno-burgueses que defendem a luta “individual” como estratégia de luta. 

Nós da CAB fazemos parte de uma tradição político-organizativa (anarquismo “especifista”) que nasceu no seio dos trabalhadores. Tem esse nome porque retoma princípios básicos do anarquismo e reafirma a necessidade de nos organizarmos politicamente enquanto militantes anarquistas e socialmente nos movimentos populares. Essa necessidade política se expressa por meio de uma Organização Política Anarquista, Federalista e de Quadros, com critérios de ingresso, formação militante, dotada de um Programa Mínimo, Estratégia de Curto e Longo Prazo e Objetivo Finalista. Não apostamos portanto, na luta “individual” e desorganizada como estratégia de vitória mas sim no acúmulo de força social nos movimentos populares. Dessa forma, não somos espontaneístas, achando que a organização popular virá por ela mesma. Ao contrário do que alguns dizem, seguimos contribuindo com o fortalecimento dessa organização, com esforços modestos mas firmes, no movimento popular, sindical, estudantil e camponês em diversos estados deste país. 

Cabe também sublinhar que não temos a pretensão de como organização política anarquista e classista “representar” a totalidade dos anarquistas fora da nossa coordenação, assim como não exigimos a determinados partidos marxistas que respondam pela totalidade dos marxistas. Somos parte de uma organização política anarquista classista que trabalha com princípios em comum, critérios de ingresso, estratégia militante e unidade teórica/ideológica. Neste sentido, rejeitamos a associação preconceituosa de qualquer um que vincule de modo quase que automático o anarquismo a desorganização, sendo que não há nenhum elemento histórico que embase esta afirmação. Respeitamos, ainda que com diferenças, as distintas formas de associação, sejam elas partidárias, independentes ou de outras bandeiras políticas que venham se somar a luta. Mas rejeitamos quaisquer tentativas de dividir o movimento internamente. O sectarismo venha de onde vier é danoso e divide a classe.

Mesmo com as diferenças de prática política e ideológicas, acreditamos que o respeito mútuo entre os setores da esquerda é algo que fortalece a luta. Devemos saber o momento de fechar o punho contra o capital. Por isso exigimos o respeito pelas contribuições históricas do anarquismo, enquanto corrente libertária do socialismo, na luta junto ao movimentos dos trabalhadores, como no campo do sindicalismo revolucionário e camponês, e atualmente com nossa modesta e consequente atuação e contribuição em diferentes campos de luta social (agrária, sindical, estudantil, comunitária).

A unidade da luta

Consideramos que a unidade na luta e a organização pela base são os principais caminhos para derrotar a máfia dos transportes, construído com a unidade de diversos setores da esquerda numa bandeira em comum: a derrota da máfia dos transportes e a luta contra o reajuste pela força das ruas. Tendo isso em vista, nós da CAB integramos, construímos e respeitamos todos os espaços de deliberação coletiva que organizaram as lutas contra o aumento da passagem em diversos estados. Ao contrário da calúnia circulada pelo PSTU sobre o anarquismo não somos espontaneístas e tampouco desrespeitamos a disciplina coletiva.

Cabe ressaltar que a luta não pode ser capturada por um partido, domesticada por uma legenda, por que a luta é uma tarefa da classe. A luta também não é “apolítica” e desorganizada. Porque nela nos formamos, aprendemos com os erros, crescemos e acumulamos força para o dia seguinte. Defendemos uma unidade construída sem sectarismos e com respeito às diferentes forças da esquerda. Fazer uma luta apartidária é diferente de fazer luta anti-partido. Isso significa respeitar as legendas/bandeiras que atuam no interior da mobilização popular, unindo as diferentes forças políticas por pautas em comum.

A verdade que incomoda: um movimento que não foi capturado

O que mais incomoda algumas legendas políticas é o fato deste movimento social, que saiu as ruas para enfrentar o governo e os patrões, não ter sido capturado por nenhuma vanguarda “esclarecida” ou partido político. É propício lembrar que alguns desses partidos que hoje condenam do alto de sua arrogância as fraquezas desse movimento popular/estudantil diziam algum tempo atrás informalmente por seus militantes “que não haviam condições objetivas para se fazer essa luta”. Felizmente eles foram contrariados e até mesmo, arrastados pela vontade da luta popular que moveu milhares. Esse movimento, apesar de compartilhar muitos princípios comuns ao nosso setor libertário e também com táticas de luta da classe trabalhadora não pode ser claramente identificada a nenhuma ideologia política apesar de em seu interior conter diferentes ideologias da esquerda. O movimento também não surgiu de nenhum partido político, apesar de ter sido construído com esforço de muitos militantes de partidos, o que deve ser valorizado. Isso não significa que este movimento não tenha problemas. Mas como diria um histórico companheiro da esquerda é “melhor dar um passo com mil do que mil passos com um” e vamos seguir trabalhando para construir e organizar melhor a luta contra o aumento das passagens junto com outros setores políticos sem a pretensão de nos tornarmos “os donos do movimento”. 

Temos consciência das inúmeras deficiências e obstáculos que precisamos enfrentar e que enfrentaremos dentro dessa luta. No entanto, também temos consciência de nossa sinceridade, modéstia e firmeza naquilo que nos propomos. Nos últimos 10 anos temos participado em maior ou menor grau de diversas lutas, construções, embates na América Latina e no Mundo e, independente das divergências com outras tradições do Socialismo exigimos respeito. Estamos juntos e lado a lado na luta pelo Socialismo e pela Liberdade e daqui não nos retiraremos. Seguiremos na luta contra o aumento do transporte em diferentes Estados à despeito da calúnia da mídia burguesa e de infelizmente, alguns setores políticos. 

Derrotar o aumento pela organização popular coletiva/de base e pela força das ruas!!! Lutar, criar, poder popular!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

domingo, 16 de junho de 2013

Grande Ato em Feira, quinta-feira 20 de junho.

Grande Ato convocado para esta quinta-feria as 16hs na cidade de Feira de Santana, com saída da Praça do Colégio Gastão Guimarães, tendo como pauta:


Foto: Ed Santos do programa Acorda Cidade
1. Redução da tarifa Já! Mesmo sendo uma cidade do interior do nordeste Feira apresenta uma das maiores tarifas de transporte público do Brasil (R$2,50), mesmo apresentando um serviço precário que não consegue atender a demanda da cidade. O inchaço do preço da tarifa se dá, entre outras razões, por conta da utilização de uma metodologia de calculo designada elaborada em 1965 pelo então chamado GEIPOT. Tal metodologia está atualmente completamente ultrapassado, e em desuso representando uma maneira ILEGAL de estabelecer os custos por parte das concessionárias de ônibus em nossa cidade. Reivindicamos, portanto, o fim da metodologia GEIPOT!

2. Pelo aumento da Frota de ônibus e das vans alimentadoras dos terminais Já! Feira tem uma frota de ônibus minúscula se comparado à quantidade de pessoas que moram na cidade. A frota, reduzida, tanto de ônibus quanto das vans é uma das principais causas da completa precariedade do serviço prestado em solo feirense.

3. Pelo fim do Monopólio do Serviço de Transporte em Feira de Santana! Feira conta atualmente com apenas duas concessionárias que prestam serviço de transporte na cidade. Isso se dá, principalmente, por conta do processo de licitação que supostamente não cumpre com os requisitos de transparência, moralidade e publicidade que uma licitação de exploração de um serviço público deve cumprir. O Povo de Feira reivindica de forma firme que se acabe com o monopólio do transporte público em Feira! Queremos um serviço de qualidade! Prestado por diversas empresas, e não o cartel que temos hoje.

4. CPI do Transporte Público Já! No último período os vereadores de Feira de Santana NÃO manifestaram o menor interesse em fazer avançar investigação parlamentar a respeito da completa Máfia instaurada na cidade. Houve um ensaio sobre uma CPI, na cidade recentemente, mais alguns vereadores retiraram seus nomes do requerimento. Exigimos uma CPI e o compromisso dos vereadores em investigar os crimes que são cometidos contra o povo.

5 Construção de Ciclovias na cidade. Além da construção de uma requalificação do sistema de circulação de ônibus. O Povo de Feira compreende a necessidade de formas alternativas para se locomover no perímetro urbano feirense. Diante disso requisitamos a construção de ciclovias que interliguem Feira de Santana e que tragam a oportunidade de utilização desse meio de transporte.

6. Reformulação do Conselho de Transporte Já! O Conselho de Transporte, o qual delibera a respeito da consolidação e aperfeiçoamento do sistema de transporte em Feira, não representa o povo feirense! O Conselho tem como atribuição tratar de questões tão importantes para todos nós. Porém, só se reúne uma vez no ano para o aumento da tarifa. Queremos a reformulação completa do Conselho de Transporte em Feira.

7. Reformulação das linhas de ônibus Já! Feira tem uma péssima distribuição das linhas. Todas as linhas de ônibus na nossa cidade estão dispostas de forma a percorrer um percurso bairro ao centro. Queremos linhas que fazem um percurso bairro a bairro.

8. Por uma melhor acessibilidade em Feira de Santana. Os ônibus de Feira de Santana são precariamente preparados para atender os portadores de necessidades especiais de nossa cidade. Queremos uma readequação de seus aparelhos urbanos para que atendem a essas necessidades que são de cidadãos feirenses que merecem respeito e tem Direito de ir e vir assim como todos os outros.

9. Implementação da meia-passagem em dinheiro nos ônibus. A lei foi aprovada em 2006, porém o SINCOL entrou com uma ação e suspendeu a mesma.

10. Pavimentação das principais vias dos bairros periféricos da cidade caráter de urgência. É impossível haver locomoção sem transtornos se a cidade tem suas principais vias de acesso aos bairros compostas de buracos, lamas e ou poeira.

11. Publicidade e fiscalização dos horários das linhas de ônibus. Que esses horários sejam fiscalizados pela SMTT de forma rigorosa e séria.

12. Fim das limitações na meia-passagem de ônibus! A meia passagem é uma conquista dos estudantes do nosso país. Os empresários se apossaram da regularização desse direito em Feira de Santana e vem alo longo dos anos dando sérios golpes nos estudantes, a exemplo da limitação do uso diário de 04 passagens e mensal de acordo com a distância da casa e com a instituição de ensino.

Para além das questões vinculadas ao transporte em Feira de Santana, foi aprovado na reunião que mantenhamos como símbolo de luta da manifestação: Solidariedade às mobilizações que estão acontecendo no Brasil, bem como a denúncia das repressões e da violência policial e a necessidade do fim de tais atos nos protestos que tem acontecido ao redor do país; Nos posicionamos contra a Corrupção; Frisamos a necessidade de abrir o movimento para que os setores do funcionalismo público se agregue com suas bandeiras de lutas; Colocamos também o papel manipulador da mídia burguesa, que joga contrário aos movimentos sociais. E nos posicionamos criticamente diante do quadro de completa precariedade no Hospital Geral Clériston Andrade, o qual vem sofrendo um processo de completa desestruturação em suas instalações por parte do governo estadual, com a finalidade de ser privatizado.

Reportagem do movimento revolucionário em Barcelona



Sinopse:
Este documentário é considerado como o primeiro rodado durante a Revolução Espanhola. Sua filmagem realizada nas ruas de Barcelona entre o dia 19 e o 24 de julho de 1936 e sua produção esteve a cargo da recém criada “Oficina de Información y Propaganda” da CNT. As tomadas foram rodadas por Ricardo Alonso e a direção e comentários foram realizadas pelo jornalista e crítico cinematográfico Mateo Santos, diretor da revista Film Popular e que havia tido sua primeira experiência cinematográfica em 1934 com o documentário “Estampas de España”. Posteriormente seria delegado do Gabinete de Cinema do Conselho de Aragón.
Seu tom exaltado e suas duras imagens causaram impacto nas classes burguesas da Espanha e Europa e foi utilizado pelos fascistas espanhóis e pelas forças reacionárias europeias como contrapropaganda para mostrar a suposta selvageria da República: o Governo da República impotente ante a barbárie vermelha. A própria identidade do filme sofreria todo tipo de distorções e fragmentos dele seriam incorporados a filmes propagandísticos dos sublevados, como Espanha Heróica (1938).
Porém, é um documento histórico de como um povo vai para as ruas para se defender de uma rebelião militar que quer faze-la ficar ainda mais na miséria, ao mesmo tempo que extravasava seu ódio contra seus cúmplices, uma igreja ultrarreacionária aliada desde sempre na Espanha com os exploradores. Se trata de um filme cujo conjunto apresenta um discurso coerente que assimila o entusiasmo da vitória sobre a sublevação fascista e uma virulenta tomada de posição contra os rebeldes para a normalização e reorganização da vida cotidiana de Barcelona.
Podemos ver, na continuação, concentrações para preparar a saída de combatentes desde a frente de Aragón; desfiles de artilharia, ônibus, meios de transporte improvisados de milicianos que uma multidão de barceloneses se despedem lotando as ruas; a liberação dos presos da prisão Modelo. Para, terminar, a câmera, instalada sobre um caminhão, realiza uma breve volta pela cidade mostrando edifícios desde os que tinha iniciado, sob o controle dos sindicatos dos trabalhadores, até a reorganização e reconstrução da normal atividade de Barcelona.
A ideia difundida que se tem da “Reportagem do movimento revolucionário em Barcelona” como uma obra “furiosa e inaceitável” nasce dos fragmentos que aludem a queima de igrejas e as imagens que mostram a entrada principal do convento das salesianas, com suas múmias expostas ao público, embora sejam mais reveladoras e sugestivas as imagens que remetem a comemoração da vitória e ao entusiasmo de se sentirem protagonistas na reorganização da vida cotidiana.
Apesar de tudo, provavelmente seja certo o que disse o historiador e crítico cinematográfico franquista Carlos Fernández Cuenca, criador e primeiro diretor (1953-1970) da Filmoteca Española: “O deplorável espetáculo contribuiria não pouco para frear a ajuda militar da França para a República Espanhola, que nessas imagens lhe tirava a máscara”.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Desabafo de um/uma Estudante da UFRB.

Desabafo: 

É cansativo viver na Casa De Estudantes Ademir Fernando, pois o descaso com as pessoas que vivem e trabalham lá, por parte da Pró Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (PROPAAE) é evidente.

Até hoje os estudantes não têm uma pia para lavar pratos! Desde o início, a única pia que atendia a 44 pessoas entupiu e a PROPAAE não tomou nenhuma providência. Nós, da mesma forma. Não exigimos que tal providências fossem tomadas, ficamos calados e começamos a usar a lavanderia de roupas para lavar pratos. 

Resultado: Nesta mesma pia que reservamos para os pratos, muitas pessoas lavam roupas, inclusive peças íntimas, panos de chão, baldes de lixo de banheiro, entre outras coisas. E os seguranças? Desde a inauguração da Casa, falamos a respeito da falta de guarita e banheiro para os seguranças. Eles trabalham numa situação desumana. Não tem um banheiro que eles possam utilizar durante o plantão. Todos os banheiros são internos (nos apartamentos). Caso um segurança precise de banheiro, tem que ficar batendo de porta em porta para ver quem faz o favor de deixar que eles utilizem o banheiro, ou talvez eles façam suas necessidades do lado de fora mesmo! Que vergonha! Uma UNIVERSIDADE que tem uma proposta de inclusão, age de forma primitiva com seus servidores.

 E a iluminação! Uma casa tão grande, com tantos moradores e que requer uma boa instalação elétrica, não tem um gerador. Frequentemente as lâmpadas queimam, os chuveiros também. Quando começa o frio então! Depois de dois banhos quentes, já não dispomos mais do recurso do chuveiro elétrico! E a Internet?!! Uma casa de Estudantes e nós não temos acesso à internet? Não entendo muito bem dessa área, mas sei que desde o início o sinal sempre foi ruim e agora nem acesso mais temos. Não sei como vou consegui terminar o meu TCC. Desta forma fica difícil produzir. Estão surpresos!?? Tudo isso faz parte de um programa de inclusão qualificada!! E agora resolvi que não vou mais me calar! Vou falar esta vergonha que acontece na UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA (UFRB), no CENTRO DE ARTES, HUMANIDADES E LETRAS (CAHL).

Peço que vocês estão na luta também compartilhem comigo e divulguem! Todos precisam saber a dificuldade que passamos.

Depoimento de um/uma estudante da UFRB.